Politização e factóides de uma “crise” artificial na RFB
Por Roberto Carlos dos Santos do RFB além dos muros corporativistas
Para uma melhor contextualização desta postagem, sugiro que se tome algum tempo na visualização das seguintes entrevistas, que desmistificam muitos dos factóides que se vêm criando:
1)http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1111651-7823-CRISE+ATINGE+DE+VEZ+A+RECEITA+FEDERAL,00.html
e
2) http://terratv.terra.com.br/Noticias/Brasil/4194-246398/Gestao-de-Lina-foi-negativa-diz-Sindireceita.htm
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Abaixo, trecho de “Painel” da Folha, que me estimula a escrever os comentários que farei a seguir (parte final desta postagem):
“Qui, 27 de Agosto de 2009.
04:43:00.
Fonte (acesso em 27/08/2009):
http://www.stj.myclipp.inf.br/default.asp?dtlh=45400&smenu=ultimas
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL
Painel
São Paulo, quinta-feira, 27 de agosto de 2009
RENATA LO PRETE – painel@uol.com.br
“[…]
Para entender 1. Paulo Antenor de Oliveira, que esculhambou a gestão de Lina Vieira em entrevista ao programa “Entre Aspas”, da Globonews, preside o Sindireceita, representante dos analistas tributários. Pouco depois de sua posse, Lina recebeu a direção do sindicato, que lhe apresentou uma antiga reivindicação: dar aos analistas a possibilidade de se tornarem auditores (a outra carreira da Receita) sem concurso. Ela respondeu que nem pensar.
Para entender 2. Quando secretário da Receita no governo FHC, Everardo Maciel, outro que detonou Lina na bancada do “Entre Aspas”, deu força silenciosa ao pleito do Sindireceita. Era tática para tentar enfraquecer o […], sindicato dos auditores.
[…]“
Meus comentários:
1) Como bem afirmou o Presidente do SindiReceita, Paulo Antenor de Oliveira, é costumeiro na RFB que toda nova administração troque (pelo menos) a maioria de seus subordinados. Desde que me entendo por servidor da RFB, essa é uma prática bastante comum. Sempre que algum SRF “cai”, tem sido natural que haja repetição do histórico “efeito cascata”. O que não dá para se entender é todo esse estardalhaço em torno dessas trocas, quando a própria ex-SRFB, logo no início de sua gestão, substituiu a maioria dos ex-Superintendentes por gente de sua confiança (o critério sindical notoriamente preponderou).
2) Há uma grande diferença entre “esculhambar” e criticar, de modo sério, verdadeiro e técnico, uma situação que se presenciou, com bastante proximidade, em decorrência da função ocupada.
3) Estranho, por outro lado, o fato de, na reportagem em comento, não se ter, aparentemente, ouvido o Presidente do Sindireceita ou o ex-Secretário da RFB Everardo Maciel, para falarem do alegado “pleito do Sindireceita”.
4) Apesar de ser uma mentira muitas vezes repetida pelos rivais de carreira dos Analistas-Tributários, não existem, nem nunca existiram, duas carreiras típicas (atividades-fim) na RFB. Os cargos de Auditor-Fiscal e de Analista-Tributário integram, e sempre integraram, uma mesma carreira (Carreira Auditoria). Portanto, além de ser uma notória tática de denegrir a imagem do cargo de Analista-Tributário, os ataques dessa natureza envolvem uma grande falácia. Tentam jogar na categoria a pecha de aproveitadores. Tentam espalhar que queremos “virar Auditores sem o concurso público”. Ora, quem desde sempre integrou, e integra, a carreira Auditoria, Auditor é. Não se pode “virar” algo que já se é (ao menos no gênero). Sugiro que se dê uma lida no art. 1º do Decreto-Lei 2.225/85, que criou a carreira Auditoria (http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del2225.htm). Sugiro, também, que se faça o mesmo em relação ao art. 5º da Lei 10.593/2002 (com a redação da Lei nº 11.457/2007) (https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10593.htm).
5) Os nossos “adversários de carreira” estão em campanha aberta pelo “resgate da autoridade”. Querem, também, fazer aprovar um projeto de Lei Orgânica que realize seu sonho: que nos expurgue da Carreira (coisa que vêm tentando desde a criação dos cargos, em 1985). Não admitem “compartilhar atribuições”. Em verdade, em razão da própria evolução institucional, apenas como exemplo, houve uma tendência a migrarem das funções típicas de fiscalização (que, com o desenvolvimento tecnológico, vêm gradativamente perdendo importância) para as funções internas, onde predominavam os Analistas-Tributários.
6) Será preciso muita sabedoria para se perceber que toda essa “crise”, artificialmente alimentada (embora haja diversas forças, com interesses diversos, a alimentá-la – menciono, por ora, apenas um viés), abre espaço para a discussão da Lei Orgânica nos moldes de seus desideratos (exclusivista e repleta de prerrogativas, blindagens funcionais e monopólios atributivos)? Pelo menos, estão a conseguir bastantes espaços na mídia, sobretudo a que costuma pender para o lado do eixo político que lucra dividendos eleitorais com a procrastinação do triste enredo.
7) Apesar de ter feito concurso público para cargo integrante da carreira Auditoria, já vi muita gente ingressar nessa carreira, no cargo de Auditor-Fiscal (ou seja, no cargo intermediário da Carreira), por outros meios que não a aprovação no limite das vagas disponíveis em edital do respectivo concurso público. O caso clássico ocorreu no concurso de 1991, quando mais de três mil candidatos ingressaram além das 500 vagas disponíveis em edital, em decorrência de um dispositivo introduzido em lei que tratava especificamente da legislação do Imposto de Renda. Outros tantos ingressaram na carreira Auditoria sem terem prestado concurso público para cargo integrante dessa carreira (ex-CAFs, ex-Sunab, ex-IAA, ex-IBC, ex-AFPS etc), em decorrência de inúmeras transformações e reestruturações. A maioria desse pessoal ainda está na ativa. Todos eles, ainda que involuntariamente, retiraram vagas que poderiam estar disponíveis tanto à promoção dos Analistas-Tributários, quanto aos candidatos de concurso público.
Somente quem conhece pouco ou nada da Receita Federal pode imaginar uma reunião onde o Presidente do SindiReceita vá até uma Auditora-Fiscal, com ligações tão claras e fortes com seu sindicato, como a ex-SRFB, para “pleitear que os Analistas se tornem Auditores sem concurso” (vide item 4). Se há algo bem marcado e conhecido na RFB são os embates sindicais que se travam em torno do (justo) pleito de restabelecimento da promoção de Analistas-Tributários aos cargos finais da Carreira Auditoria (nos moldes em que foi criada). Na categoria dos AFRFBs – em função também de muitas campanhas-contra de seu sindicato -, impera a rejeição à completa integração dos cargos, em uma carreira bem formada (com as referidas promoções). Vai ver que essa reunião foi marcada na mesma agenda onde foi marcada a reunião com a Ministra Dilma.
9) Na categoria dos Analistas-Tributários, sempre se soube que, se depender das sucessivas Administrações da RFB (monopolizadas por Auditores-Fiscais), qualquer melhoria das condições do cargo que possa significar, ainda que de longe, ameaça aos ideais de superioridade da outra categoria, será inexoravelmente barrada, ostensivamente, ou de modo dissimulado. Assim, a evolução da categoria tem dependido historicamente de nossa mobilização junto a autoridades do Executivo (exceto RFB, claro) e do Legislativo. E é assim que vamos conquistar o restabelecimento do justo pleito da promoção! A iniciativa de lei nesse sentido cabe ao Executivo, mas não depende necessariamente do aval da RFB (no que depender disso, o que se esperam são as já conhecidas resistências).
10) A matéria não esclarece qual seria o alegado interesse do ex-Secretário em “tentar enfraquecer o […], sindicato dos auditores”. Ressalta, desde logo, a reflexão: o que alguém em sua posição – neutra o mais que suficiente – iria querer com isso?